Eu não sei. Não
há como saber. Não há diálogo aqui, não há poesia a interpretar ou intuição
que me norteie sobre o que acontece em você.
Tudo bem, acho que sei, mas estou
ignorando a razão e as circunstancias que te trazem a mim. Você precisa de colo
e refúgio, carinho e descanso num abraço, uma bebida e uma canção intensa que
lhe faça se sentir vivo outra vez.
Sim, é o que
lhe ofereço, pois nada mais em mim você conhece. Você nem ao menos me ouve
realmente. Apenas fecha seus olhos e sente seu sangue esgotado em suas veias em
meio a transfusões de um amor desgastado em rotinas. Enquanto te
olho desenho em minha mente e em meu desejo os seus traços.
Tudo em mim convulsa.
Metade de mim me impulsiona ao seu beijo
Metade repulsa.
Se elas estivessem claras,
cada qual em sua parte, seria uma escolha justa e tranquila. Mas essas metades
se entranham, se estranham, comungam em cada parte de mim, induzidas a baterem
forte sob os instrumentos de uma canção.
E paro.
E
suspiro.
Penso em correr (me sinto correndo!) mas ainda estou aqui.
Intacta.
Em transe.
Submersa em pequenas metades. Metades entranhadas que não
me tiram daqui.
E se elas não o fazem, porque não você?
Porque você provavelmente não
me vê.
Ana Sabbag