sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dicionário de Mim

Ana Paula carvalho é meu nome de registro. Sabe como é família árabe: nada de nome da mãe nos filhos. Dessa forma minha avó querida não viu o seu Sabbag em seus filhos e assim por diante. Desde cedo não me conformei. Adulterei a carteirinha da Escola, inventava que nasci no Rio de Janeiro e quase levei uma bela surra por causa disso. E por outras coisas também. Para piorar, o sobrenome Carvalho era motivo de piada na sala de aula. Ou tiravam o R e chamavam de cavalo ou tiravam o V e chamavam de... Melhor não.
Por causa das leves reações que uma menina cheia de lábia e argumentos convincentes para convencer os amigos que não brincassem assim e outras coisas mais, ganhei o apelido de “Ana Paulada”. Ok, tudo bem, já chega, vamos mudar de assunto.
Não. É melhor contar logo o dia em que o apelido realmente pegou:
Entraram na sala de aula perguntando quem queria participar de uma competição de natação no clube ali perto. Gincanas de Escola pública. E é claro, eu respondi com presteza. Dia seguinte, entramos num ônibus, a Escola toda foi para a platéia e os atletas para a piscina.
Pulei. Nadei, nadei, nadei e o outro lado não chegava. Com pouco fôlego e sentindo meus movimentos em câmera lenta olhei a diante e via as pessoas saírem da piscina comemorando. Olhei para os lados e não via ninguém, mas ouvia gritos, pessoas gesticulando fora da piscina, me apontavam alguém perto de mim, mas insisti por chegar do outro lado. Cheguei!!! Quando percebi que os rostos se misturavam entre gargalhadas e semblantes preocupados olhei para a piscina e vi, atordoada, lá no meio, uma menina se afogando. Caí sentada. Por mim, não por ela. Não tinha forças para resgatá-la, mas um professor o fez por mim. No entanto, minha tristeza de encarar a verdade de que só havia chegado na frente de uma menina que se afogava abalou ainda mais minha auto-estima.
E o final da história você já pode imaginar: Meninos cheios de piadas, gracinhas e frases e bem em cima deles a enfurecida Ana Paulada.
Foi assim que comecei a usar pseudônimos para minhas ações. Inventar histórias, pessoas, sensações, vidas, nomes e lugares passou a ser minha especialidade.
Mas é preciso deixar claro que não cometi nenhum crime de falsidade ideológica, é apenas um “nome artístico” ou pseudônimo que adotei. Aliás, antes de ficar bem conhecida por este – Ana Sabbag – tenho alguns trabalhos registrados como Ana Paula Sabbag, Paula Lírios, Paula Sabbag, e é provável que alguém me grite na rua por algum outro que eu não me lembro mais, mas Ana é tão forte, presente em tantas canções, filmes, histórias clássicas e corações que acabou ficando esse: Ana Sabbag. Curto, preciso, memorável.
E o Carvalho? Ah! esse vai ficar passeando pela vida real, de gente normal. Me esperando ali, quieto, pra quando eu quiser um canto e um momento só meu.