Às vezes é preciso começar de novo. Mas para mim, não há nada de mau nisso. É como se dizer que o mundo dá voltas e para sempre no mesmo lugar, mas um passo à frente. Começar de novo, renascer, ressurgir é assim. Cada vez que uma fase se encerra, outra começa, e a gente traz consigo um passo a frente, uma experiência a mais, um conhecimento importante que vai usar agora, mas que não o tinha na volta anterior do mundo.
Não me pergunte quantas vezes iniciei uma história, um projeto, uma ideia e parei. Parei no momento que achei certo ou conveniente, ou por um freio ou curva do destino. Mas também parei por deixar passar despercebido a importância daquilo ao olhar para o outro lado da rua. Se eu passar a vida me arrependendo do que eu abandonei ou parei, não sigo em frente. Se pensar em "se isso", "se aquilo" vou perder tempo demais num novo recomeço que está diante de mim.
Posso me remeter à angustia, de Sartre. Eu realmente tenho a necessidade de me lançar no mundo, num projetar rumo a construção do meu ser. E saindo de Sartre para o cantor Chorão, "cada escolha, uma renúncia". Claro, muitas escolhas, muitas renuncias, porém, viver muitas renúncias é ignorar o poder de escolha. Entre me apegar às renúncias, e aceitar o sofrimento da liberdade, eu prefiro me apegar a este.
Claro, não deixo de reconhecer jamais, embora minha percepção seja tardia, as mágoas, pessoas e coisas que preciso deixar pelo caminho. Mágoas muitas vezes geradas pelas expectativas geradas sobre mim. Mas acabo por não sofrer com essas situações, mais do que é normal. Em minha perspectiva, não posso deixar a minha felicidade a critério ou escolha de outro ser ou do destino ou da vida. Assim como não posso culpar a ninguém pela minha infelicidade. Acreditando nisso, não aceito que a causa do sofrimento de alguém por eu não superar suas expectativas ou partir, seja eu. Isso me exime bastante da culpa. Não é demagogia, assim como eu aceito a angústia de minhas escolhas como fruto de meus atos e escolhas e ações, é preciso que cada um aceite que escolheu transferir a tal felicidade para o outro e não a si mesmo.
Tudo isso para dizer que compartilhar a felicidade é essencial, e lindo e contagiante, mas ninguém jamais poderá ser responsabilizado por si só em sua alegria ou sofrimento, mas apenas nós mesmos. Que escolhemos o nosso caminho e quem estará ou não nele. É claro, que poucos de nossos movimentos são friamente calculados, como dizia meu amado Chapolin colorado. Somos (e precisamos ser) espontâneos e impulsivos. E além de tudo, assumir nossas escolhas, sendo seus resultados bons ou ruins. Todos temos o direito de viver algo que não se planejou. É fato que todos passaremos por isso, mesmo em desarmonia com aqueles que estão ao nosso redor.
E assim gira o mundo, assim ele dá voltas, e para sempre no mesmo lugar, mas um passo a frente (voltando exatamente ao primeiro parágrafo).