sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O ALTAR DIANTE DO ESPELHO

Porque os professores são tão eleitos primeiros amores de muitas alunas pré-adolescentes? E porque ainda são tão assediados pelas jovens mais espertas?
Porque astros de bandas de rock, magrelos, estranhos e desvairados são tão assediados por homens e mulheres de todas as idades?
Porque as revistas de fofoca que flagram a vida de famosos, vendeM muito mais do que revistas científicas?
Porque nos tornamos fãs fascinados por pessoas que nem ao menos conhecemos como pessoas, mas como sex simbols?
Desde crianças, aos primeiros passos e palavras lidas, somos catequizados, evangelizados, treinados militarmente a admirar e exaltar aqueles que estão expostos em um altar (que nem ao menos têm direito de resposta ao que tanto lhe falamos aos ouvidos).
Os professores, os astros, modelos, as sete maravilhas do mundo, o padre, o pastor, o carinha mais bonito ou a garota mais fashion da Escola estão nesses altares. São traduzidos automaticamente por nosso cérebro condicionado a admirar o que está no altar, como amáveis, apaixonantes, idolatráveis. Além do fato de estarem estes todos em constante exposição diante de nossos olhos, nossa imaginação, nossa esperança e desejo de conquista.
Repare que muitas dessas pessoas estariam totalmente despercebidas se estivessem fora do palco, da telinha ou da telona, fora da sala de aula, do palco. São belezas comuns que se produzem, colocam suas batas jesuíticas em forma de casacos modernos e passam a ser observados com um olhar de cristão dedicado.
Quando pudermos descobrir, em nós, essa percepção, veremos quantos astros interessantes temos à nossa volta, em nossa vida: Um namorado seu tocando violão, sua avó trabalhando em sua incrível macarronada, sua amiga lhe ensinando que não adianta sofrer, que vai passar, que homem é igual biscoito; Você cantando com seus amigos num lual; ou alguém fazendo uma gracinha boba só para te fazer rir não precisam estar em altares para serem admirados, para nos tornarmos loucos por eles.
Não precisam estar expostos para descobrirmos o quanto somos seus fãs, o quanto são admiráveis, passíveis de compra de ingresso e fila de espera com direito a acampamento noturno e gritos cheios de lágrimas dizendo “EU TE AMO!”.
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Dedico este texto à minha eterna amiga Thaís Teixeira, a de muitas vidas, a que dividiu comigo a maior parte do meu altar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

JANELA ABERTA

Tenho me lembrado de você.
Me perco entre lembranças.
Ouço vozes
risos
conversas de nós dois.

Como posso ouvir tantos ruídos
se não há ninguém em volta?

Imagens
Frases
Beijos
Não vão embora
Perturbam minha cabeça
Me acompanham noite adentro
sem me aquecer

Eles me tomam o calor e
deixam meu corpo como se estivesse NU
Mas meu corpo está NU.

De você.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Manifesto pela Joana Fora do Mundo

Joana não encontra o mundo fora de si mesma. Percebe coisas que não podem ser vistas ou sentidas por nós. Ela interfere em seus pensamentos e você é incapaz de conhecer os dela.
Mulher doce, mas incapaz de sentir a vida como você. Está sempre em muitos lugares ao mesmo tempo, está em toda parte e em parte qualquer. Por vezes, Joana se joga nos mares, corre pelos ventos e navega em dilúvios de areia sem perguntar a si mesma como consegue isso, como fazer outra vez, como nunca mais fazer.
Joana tem medo de si mesma porque não enxerga a maldade do mundo. Em seus pensamentos, ela é a vilã, a mocinha, a fada e a bruxa. Joana é o que quer ser e não entende a diferença de ser quem você é ou ser quem gostaria de ser, porque ela é todas elas e nenhuma delas quando, por lágrimas e gritos, suspira sem entender.
Conhecer Joana é um martírio para cada um que se aproxima dela. Pois, perto dela, somos capazes de entender perfeitamente a vida e a sociedade da qual fazemos parte. A reconhecemos, como se passasse um filme em nossas mentes, como se tivéssemos um estalo mental que clareia todos os nossos pensamentos. Mas entender a vida e a sociedade não é tudo o que queremos?
Quando estamos perto de Joana percebemos que não. Pois, ao encontrá-la em seu mundo nos deparamos diante da vida definida fora de nós mesmos, fora dos nossos valores, dos nossos desejos, do nosso "Eu", definidas por "Deus sabe quem".
Se Joana se encontrar, se ela encontrar o mundo fora dela, ela perderá toda a sensibilidade que preenche a sua alma, perderá sua essência, sua ilusão doce e criativa.
Mas olhando de longe e calmamente, sabemos que Joana não encontra o mundo fora de si mesma. Que inveja da Joana!!