segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Poema estancado

   Eu não sei. Não há como saber. Não há diálogo aqui, não há poesia a interpretar ou intuição que me norteie sobre o que acontece em você. 
   Tudo bem, acho que sei, mas estou ignorando a razão e as circunstancias que te trazem a mim. Você precisa de colo e refúgio, carinho e descanso num abraço, uma bebida e uma canção intensa que lhe faça se sentir vivo outra vez. 
   Sim, é o que lhe ofereço, pois nada mais em mim você conhece. Você nem ao menos me ouve realmente. Apenas fecha seus olhos e sente seu sangue esgotado em suas veias em meio a transfusões de um amor desgastado em rotinas. Enquanto te olho desenho em minha mente e em meu desejo os seus traços.
   Tudo em mim convulsa. 
   Metade de mim me impulsiona ao seu beijo
   Metade repulsa.
  Se elas estivessem claras, cada qual em sua parte, seria uma escolha justa e tranquila. Mas essas metades se entranham, se estranham, comungam em cada parte de mim, induzidas a baterem forte sob os instrumentos de uma canção.
   E paro. 
   E suspiro. 
   Penso em correr (me sinto correndo!) mas ainda estou aqui. 
   Intacta. 
   Em transe.
   Submersa em pequenas metades. Metades entranhadas que não me tiram daqui.
   E se elas não o fazem, porque não você?

   Porque você provavelmente não me vê.

Ana Sabbag


Nenhum comentário:

Postar um comentário